Esse blog foi criado com a finalidade de compartilhar minhas ideais e gosto por diversas culturas, seus costumes, hábitos, leituras, expressões idiomáticas entre outras coisas. Meus autores preferidos, locais e atrações ao redor do mundo. Também dou dica de livros e filmes. Nele o leitor poderá conhecer um pouco da minha personalidade.
domingo, 15 de junho de 2014
sábado, 10 de maio de 2014
sábado, 12 de abril de 2014
Navio Negreiro
"Senhor Deus dos desgraçados!Dizei-me vós, Senhor Deus !
Se é loucura... Se é verdade
Tanto horror perante os céus...
Ó mar porque não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão ?
Astros ! noite ! tempestades !
Rolai das imensidades !
Varrei os mares, tufão !...
Que não encontram em vós,
Mais que rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz ?
Quem ?... Se a estrela se cala,
Se a vaga é pressa resvala
Como um cúmplice fugaz
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa musa,
Musa libérrima, audaz !

São os filhos do deserto
Onde a terra esposa a luz.
Onde voa em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados,
Que com os tigres mosqueados
Combatem a solidão...
Homens simples, fortes, bravos...
Hoje míseros escravos
Sem ar, sem luz, sem razão...
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormindo à toa
Sob as tendas da amplidão...
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de finado,
E o baque de um corpo ao mar...

Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cum'lo de maldade
Nem são livres p'ra... morrer...
Prende-os a mesma corrente
-Férrea, lúgubre serpente -
Nas roscas da escravidão.
E assim roubados à morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoite... Irrisão !...
(Castro Alves)
quinta-feira, 10 de abril de 2014
terça-feira, 8 de abril de 2014
Valsinha
"Um dia ele chegou tão diferente
Do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente
Do que sempre costumava olhar.
E não maldisse a vida tanto quanto era o seu jeito de sempre falar.
E nem deixou-a num canto,
Para seu grande espanto convidou-a pra rodar.
E então ela se fez bonita
Como há muito tempo não queria ousar.
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar.
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar.
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar.
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda a cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouviam mais
Que o mundo compreendeu e o dia amanheceu
em paz...
(Chico Buarque)
Do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente
Do que sempre costumava olhar.
E não maldisse a vida tanto quanto era o seu jeito de sempre falar.
E nem deixou-a num canto,
Para seu grande espanto convidou-a pra rodar.
E então ela se fez bonita
Como há muito tempo não queria ousar.
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar.
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar.
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar.
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda a cidade enfim se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouviam mais
Que o mundo compreendeu e o dia amanheceu
em paz...
(Chico Buarque)
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